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por nós, por otras, por otros
quotando um texto da confabulando (Esboçando uma crítica anarquista a Pornografia):
a pornografia não representa uma quebra com os valores tradicionais. apesar de muit*s acharem que a simples representação do sexo já é revolucionária, é bom lembrar que sexo é quase um supra-tema em nossa sociedade. não é a simples explicitação do sexo que poderia tornar a pornografia revolucionária, senão a novela da globo seria de esquerda (hehehe). precisa muito mais pra ser tida como revolucionária: precisa pelo menos ser uma representação que desmanche as marcações de gênero fortemente delimitadas... tem que ser pelo menos uma representação que questione os papéis de gênero, ou as próprias categorias, ou as práticas tradicionais. ou que pelo menos tenha corpos não inseridos no padrão de beleza sacramentado. se bem que isso também é complicado; acho problemático a forma que corpos totalmente fora do padrão são sexualizados, tidos como “bizarros”, passam a fazer parte de um desejo estranho; ou como mulheres consideradas fora do padrão são ultra-sexualizadas e isso se torna mais um lugar de opressão; estou pensando aqui em como os meninos de classe média costumam iniciar-se sexualmente com suas empregadas, que eles mesmos consideram feias (porque não-brancas, porque não-magras, poque não-louras) mas como que numa herança do escravismo, servem para saciar-lhes o desejo. e imaginando a construção de uma nova pornografia - com quebra de valores - sugiro olhadas, bisbilhotadas e voluntarismo nesse site: http://freedomporn.org - para aquelas e aqueles que também gostam de pornografia. a proposta é justamente uma pornografia contra-hegemônica, que infelizmente ainda contém somente modelos masculinos - vestidos e travestidos das mais diversas formas, mas que é aberto para todas as pessoas que queiram propor e fazer diferente.
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